Um espaço para médicos, estudantes de medicina e outros profissionais de saúde interessados em estudos nesta área.

A UFARM / Anvisa, visando colaborar para a difusão de informações relacionadas a medicamentos e contribuir para seu uso racional, elaborou este alerta referente a produtos à base de óleo mineral. Nosso objetivo, ao elaborá-lo, é evitar que este medicamento seja usado em condições que, se presentes, aumentam o risco de desenvolvimento da pneumonia lipoídica uma vez que esta patologia pode ser mais freqüente na população do que se pode cogitar.

Solicitamos a todos os profissionais de saúde que notifiquem a suspeita desta reação adversa (e todas as suspeitas de reação adversa a qualquer medicamento) através do Formulário de Suspeita de Reação Adversa a Medicamentos.

O óleo mineral, apesar de considerado, como um produto inócuo, inclusive por muitos profissionais de saúde, pode estar implicado em uma entidade pouco conhecida, denominada pneumonia lipoídica.

 Pneumonia Lipoídica exógena é uma patologia rara, descrita pela primeira vez por Laughlen, em 1925, resultante de diversas situações médicas, sociais, culturais e ocupacionais.

 A pneumonia lipoídica ocorre através da aspiração aguda ou crônica de partículas oleosas, ingestão de produtos oleosos (como os para constipação, por exemplo) ou inalação de substâncias oleosas (aquelas em preparações nasais oleosas para alívio de obstrução rinofaríngea, principalmente quando utilizadas em decúbito). Essas substâncias oleosas são óleos minerais, que não são depurados pelo pulmão e inibem o reflexo de tosse e a função do epitélio muco-ciliar.

 Apesar de conhecida, seu diagnóstico é dificultado por apresentar-se de forma semelhante a várias outras patologias e não apresentar achados radiológicos específicos, além do freqüente desconhecimento do antecedente de exposição.

 Entretanto, o diagnóstico é usualmente baseado na evidência de macrófagos contendo lipídeos, ao exame de escarro ou do lavado brônquico, assim como do material obtido por aspiração por agulha, biópsia transbrônquica ou transtorácica e análise de lipídeos no lavado bronco-alveolar.

Os achados microscópicos são, além dos macrófagos carregados de lipídeos que preenchem e distendem a parede alveolar e interstício, associados a acúmulo de material lipídico, infiltração inflamatória celular e variáveis graus de fibrose. Existem também formas endógenas de Pneumonia Lipoídica (fosfolipoproteinose alveolar ).

Constipação crônica é um sintoma comum em medicina interna, pediatria, e médicos com freqüência prescrevem óleo mineral para tratamento crônico da constipação, inclusive em crianças. A constipação é responsável por 3% dos encaminhamentos às clínicas e 10 a 25% de encaminhamentos aos gastro-pediatras.

Nos EUA, 2 a 3 milhões de pessoas recebem prescrição de óleo mineral a cada ano. E essa estimativa não inclui a auto-medicação, já que o óleo mineral pode ser adquirido sem prescrição.

 O óleo mineral deprime o reflexo da tosse, como já foi dito, facilitando a aspiração mesmo em indivíduos normais, e pacientes com disfunção da deglutição apresentam risco maior.

Em adultos, 25% dos casos de pneumonia lipoídica têm sido reportados em indivíduos normais, sem predisposição a fatores de risco. Fatores predisponentes para a pneumonia lipoídica incluem uma variedade de situações clínicas: disfagia, desordens neuromusculares que afetem a deglutição e o reflexo do vômito além de alterações estruturais da faringe e esôfago (megaesôfago, refluxo gastro-esofageano, divertículo hipofaríngeo, fístula traqueo-esofágica, acalásia).

 Neonatos e idosos apresentam risco mais elevado, por apresentarem disfunção subjacente da deglutição.

Clinicamente, os pacientes se apresentam com tosse, diminuição da amplitude respiratória, febre moderada e desconforto respiratório.

 Casos associando pneumonia lipoídica exógena e infecções por mycobactérias atípicas são raros porém conhecidos (11 casos reportados na literatura, até 1996). Alguns autores acreditam que os lipídeos desempenhariam um papel protetor às micobactérias, dificultando sua fagocitose pelos macrófagos, enquanto outros acreditam que os ácidos graxos livres constituiriam um elemento capaz de favorecer o desenvolvimento de uma pneumonia hemorrágica necrotizante, o que por sua vez seria um fator predisponente para uma infecção secundária. De qualquer modo os lipídeos ainda não possuem um papel definido na patogenia da infecção por mycobactérias.

Apesar da pneumonia lipoídica ser, em geral, um processo infiltrativo pulmonar do tipo crônico, secundário à aspiração contínua de lipídeos exógenos (laxantes e gotas nasais), também é observada em casos de aspirações maciças de material lipídico, podendo levar à Insuficiência Respiratória Aguda.

Por isso, reiteramos a necessidade de que os profissionais encarem o óleo mineral, não como produto inócuo, mas também passível de causar reações adversas, reações essas que devem ser notificadas, para que se possa estimar o risco do uso do produto.

FONTE: ANVISA. Alerta SNVS/Anvisa/Ufarm nº 9, de 29 de agosto de 2001

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